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Setembro, 2011 |
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Passo Fundo, RS
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Na safra 2010/11, foram registrados 706 focos da doença no Brasil, em 10 estados: Paraná (291), Rio Grande do Sul (180, sendo 157 em lavouras comerciais), Goiás (68), Mato Grosso (50), Mato Grosso do Sul (46), Bahia (26), Santa Catarina (23), São Paulo (8), Minas Gerais (7) e Rondônia (7) (CONSÓRCIO ANTIFERRUGEM, 2011). No Rio Grande do Sul, o primeiro foco em lavoura comercial foi registrado em 29 de dezembro de 2010, e o último, em 9 de março de 2011 (CONSÓRCIO ANTIFERRUGEM, 2011). O maior número de ocorrências foi observado em plantas que se encontravam no estádio reprodutivo (97%), nos meses de janeiro e de fevereiro de 2011 (Fig. 1 e 2).
A área abrangida no levantamento realizado entre cooperativas do Rio Grande do Sul somou 2.473.000 hectares, ou 60,5% da área total de soja do Rio Grande do Sul na safra 2010/11, estimada em 4.084.800 hectares (CONAB, 2011).
Entre as cooperativas entrevistadas, os meios mais importantes de obtenção de informações sobre a evolução da doença foram a assistência técnica da própria cooperativa (67%), seguindo-se rádio (44%) e revendas de produtos (39%). Percebeu-se, no momento da realização das entrevistas, a importância do rádio como veículo de comunicação por excelência para divulgação local das informações de prevenção e monitoramento da ferrugem da soja, devido sobretudo ao alcance e cobertura junto ao público que trabalha na agricultura. Todas as cooperativas acessam o site do Consórcio Antiferrugem, sendo que 78% acessam exclusivamente este site. Para a confirmação dos sintomas, as cooperativas já são autossuficientes em sua maioria (83%), e/ou procuram auxílio em revendas (28%), sendo que apenas 11% procuram a assistência técnica especificamente para este fim.
Todas as lavouras de soja da área amostrada receberam pelo menos uma aplicação de fungicida especificamente para controle de ferrugem. Em aproximadamente 8% da área, foi realizada apenas uma operação de aplicação de fungicida; em 60% da área, duas aplicações; em 30% da área, três aplicações; e, em 2% da área, quatro aplicações. O número médio de aplicações/safra, na área amostrada, foi de 2,25, sendo praticamente igual ao valor observado na última safra (2,20) e superior às safras anteriores (1,85 em 2007/08 e 1,94 em 2008/09). A área com maior número médio de aplicações (3,2) foi a da Cooperativa Agropan, enquanto que a área da Cooperativa Cotrisa apresentou o menor número (1,9).
O principal critério para identificar o momento de realizar a primeira aplicação de fungicida foi o estádio de desenvolvimento da soja (em 77% dos casos), sendo o estádio R1, que representa o início do florescimento, o ponto de referência para a primeira aplicação. Em 18% dos casos, os agricultores optaram por realizar o monitoramento da ocorrência da doença, e os restantes 5% usaram informações sobre o aparecimento da doença em áreas próximas.
Na primeira e na segunda aplicações, predominou a utilização de misturas de fungicidas dos grupos químicos triazol e estrobilurina, embora o uso isolado de triazol, na primeira aplicação, tenha ocorrido em 30% na região da Agropan, e 10% usem apenas triazol na segunda aplicação, na região da Cotrisa. No caso de uma terceira aplicação, novamente predomina a mistura triazol e estrobilurina, apenas sendo registrada a mistura triazol e carbendazim na região da Coopatrigo. O uso de fungicidas à base de mistura de triazol e estrobilurina para controle de ferrugem de soja é altamente indicado, em função de sua maior eficiência (GODOY et al., 2009). Na safra 2009/10, parcelas de soja tratadas com fungicidas à base de mistura triazol e estrobilurina apresentaram rendimento de grãos superior aos tratamentos com triazóis, após avaliação em 21 locais no Brasil (GODOY et al., 2010).
O método preferencial de aplicação de fungicidas foi o terrestre (81% de modo tratorizado e 15%, autopropelido) e, em 4% dos casos, foi usada aplicação por avião. O custo médio de aplicação terrestre foi de, aproximadamente, R$51,00/ha, sendo R$37,00 o custo com fungicida e R$14,00, a operação de aplicação.
Referente a possíveis reduções de rendimento de grãos devidas à ferrugem, nesta safra, foram citadas perdas médias de 2% (ou 1 saca soja/ha), variando entre 0 e 10%. As maiores perdas, entre 7% a 10%, foram registradas em 255 mil ha, nas regiões da Cotricampo e da Cotrirosa. Em 10 cooperativas, correspondendo a 1,523 milhões ha, não foram registradas perdas devidas à doença. A produtividade final de soja foi 11% superior à esperada, encerrando com média de 51,8 sacas/ha, ou 3.109 kg/ha, contra as esperadas 45,9 sacas/ha, ou 2.753 kg/ha.
Com estes dados, estimou-se o custo de ferrugem da soja para a área levantada (2.473.000 ha), através da análise de dois fatores principais: perdas associadas à doença e gastos com controle.
No fator “perdas associadas à doença”, considerou-se a média de 1 saca perdida/ha, o que corresponde a 2.473.000 sacas. Esta quantidade, quando multiplicada pela cotação histórica da saca de soja (US$ 11,00), indica o valor parcial de US$ 27.203.000.
No fator “gastos com controle”, considerando-se 2,25 aplicações, ao custo médio de R$ 51,00/ha/aplicação, obtem-se $177.360.468,75, usando-se o dólar a R$ 1,60, na área pesquisada.
Somando-se estes dois fatores, obtem-se o total de US$ 204.563.468,75 em 60,5% da área de soja estimada no RS em 2010/11. Extrapolando-se estes valores para a área total de soja no Estado, os valores econômicos envolvidos com esta doença podem ter chegado a US$ 337.889.550,00, na safra 2010/11.
Como forma de melhor manejar a ferrugem e de evitar um número maior de aplicações de fungicidas, os agricultores têm preferido usar cultivares de soja de ciclo mais precoce, o que ocorreu em 70% da área amostrada, seguindo-se cultivares de ciclo médio (21%) e de ciclo tardio (9%).
Documentos Online Nº 132
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