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Agosto, 2006 |
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Mecanismos que conferem resistência
Alteração do local de ação
As informações genéticas de um organismo estão contidas em seu material genético (DNA). As alterações que ocorrem no DNA, mas não provocam a morte do indivíduo, são, em sua grande maioria, repassadas aos seus descendentes (Suzuki et al., 1992). A ocorrência de erros na replicação ou transcrição da fita do DNA e na tradução do mRNA, bem como a ocorrência de mutações que provoquem inserção, deleção ou substituição de uma base nitrogenada, pode alterar um ou mais aminoácidos da proteína a ser formada, resultando em uma proteína mutante. A mutação é um processo biológico que vem ocorrendo desde que há vida no planeta; no entanto, a maioria delas é deletéria e a evolução só é possível porque algumas podem ser benéficas em determinadas situações (Suzuki et al., 1992).
A alteração de uma base nitrogenada, que resulta na mutação de ponto pode originar enzima com características funcionais distintas ou não da original. Se o aminoácido alterado for o ponto ou um dos pontos de acoplamento de uma molécula herbicida, este produto pode perder a atividade inibitória sobre esta nova enzima (Figura 1). Pequena alteração no polipeptídio pode resultar em grande efeito sobre sua afinidade com a molécula herbicida (Betts et al., 1992). Desse modo, um herbicida que anteriormente era eficiente em inibir determinada enzima, deixa de ter efeito sobre ela, e a planta torna-se resistente àquele herbicida e a outros que se ligam da mesma forma àquela enzima. Logicamente que, se o herbicida possuir mais de um mecanismo de ação, a planta pode morrer pela ação do(s) outro(s) mecanismo(s), a não ser que ela apresente outros mecanismos de resistência, ou seja, resistência múltipla.
Fontes externas de radiação, como sol, podem provocar mutações no DNA. A luz ultravioleta e o oxigênio são mutagênicos (Brewbaker, 1969). Acredita-se que os herbicidas não sejam capazes de provocar mutações, já que estes produtos, antes de serem lançados no mercado, são avaliados quanto à sua capacidade mutagênica. Não há evidências e é muito improvável, que mutações possam ocorrer por ação de herbicidas (Kissmann, 1996).
Metabolização do Herbicida
A planta resistente possui a capacidade de decompor a molécula herbicida mais rapidamente do que plantas sensíveis, tornando-a inativa. Esse é o mecanismo de tolerância a herbicidas apresentado pela maioria das espécies.
As formas de metabolismo mais comuns incluem hidrólise ou oxidação, de onde surgem grupamentos adequados para conjugação com glutationa (GSH) e aminoácidos. Os conjugados geralmente são inativos, mais hidrofílicos, menos móveis na planta e mais suscetíveis a processos secundários de conjugação, destoxificação ou compartimentalização do que a molécula herbicida original (Kreuz et al., 1996).
Compartimentalização
Neste caso a molécula do herbicida é conjugada com metabólitos da planta, tornando-se inativa, ou é removida das partes metabolicamente ativas da célula e armazenada em locais inativos, como o vacúolo.
Devido a conjugação e compartimentalização, a absorção e a translocação são alteradas, e, assim, a quantidade do herbicida que atinge o local de ação é reduzida, não chegando a ser letal. Exemplos desses mecanismos incluem biótipos resistentes aos herbicidas bipiridílios e auxinas.
Esses mecanismos podem, isoladamente ou associados, proporcionar tolerância ou resistência a herbicidas, mesmo que pertencentes a diferentes grupos químicos. Desse modo, uma planta daninha pode ser sensível, tolerante ou resistente a dado herbicida.
Documentos Online Nº 57
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